
O Programa de Direitos Humanos e Saúde Mental da Fiocruz (PDHSM/Fiocruz) participou da mesa-redonda “Da Política de Drogas à Política de Apostas: Saúde, Justiça Social e Redução de Danos”, realizada durante o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão. O encontro reuniu especialistas para discutir como políticas públicas voltadas tanto para drogas quanto para jogos e apostas influenciam o cuidado em saúde mental e as dinâmicas sociais que envolvem esses temas. A discussão partiu do reconhecimento de que modelos repressivos têm ampliado desigualdades e vulnerabilidades, enquanto abordagens baseadas em cuidado e redução de danos oferecem alternativas mais eficazes e humanas.
Coordenada por Francisco Cordeiro, do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde (DESMAD/MS), a mesa apresentou exposições que articularam dimensões sociais, políticas e de assistência em saúde mental. Os participantes buscaram destacar como diferentes perspectivas podem contribuir para políticas integradas e socialmente justas.
O pesquisador Daniel Elia, do PDHSM/Fiocruz, abriu o debate enfatizando a necessidade de que toda a rede de saúde mental, especialmente os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), esteja preparada para acolher pessoas em sofrimento decorrente de jogos e apostas. Segundo ele, o fortalecimento da rede é essencial para que o sistema público ofereça respostas consistentes diante do aumento dessa demanda.

Na sequência, Dudu Ribeiro, da Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas, trouxe ao centro do debate a relação entre política de drogas e desigualdades raciais. Ele destacou que o racismo estrutural se evidencia nos dados da chamada “guerra às drogas”, cujas principais vítimas são jovens negros. Para Ribeiro, repensar esse modelo é fundamental para enfrentar injustiças históricas, tendo em vista que o racismo é uma questão de poder em nossa sociedade..
Encerrando as exposições, Gabriella Boska, também do DESMAD, apresentou dados do Ministério da Saúde que mostram o crescimento na procura por atendimento de pessoas em sofrimento relacionado a jogos e apostas. O aumento revela um desafio emergente para a saúde pública e reforça a importância de debates intersetoriais para o cuidado.
Com contribuições diversas, a mesa-redonda evidenciou a urgência de integrar saúde pública, equidade e direitos humanos na formulação de políticas sobre drogas e apostas. Os participantes destacaram a necessidade de estratégias que superem a lógica punitiva e priorizem o cuidado centrados nas pessoas, fortalecendo práticas mais humanas e socialmente justas.